Minha irritação aumentava lentamente, e de maneira contraditória eu bem sabia o porque, parecia que havia sido sentenciado a eternidade na escuridão, como se meu destino fosse permanentemente envolto em trevas, uma vida desprovida de calor e aconchego. Posso aventurar-me a dizer que estou tão longe da salvação quanto um vagabundo entregue aos vícios, afinal na Grande Cruzada era Vencer ou Morrer, até o presente instante falhei em ambos, tão distante do descanso descrito lindamente pelos livros bíblicos que eu li e pela desenvoltura de tantos sacerdotes e agás que ouvi, se algum dia fui provido de liberdade, com os anos me tornei cativo da minha própria guerra, devastado por meu próprio eu. Comi a hóstia, Seu corpo e bebi o vinho, Seu sangue. Luto em Seu nome, faço intrigas pelo mesmo, e até onde isso será certo? Mesmo que em meu íntimo eu desconfie, sozinho nada sou contra a miserável cristandade romana, nada posso fazer pois minha batalha, essa que consumiu minha vida, não é financiada com trigo, mas com ouro, ouro cristão.Essas blasfêmias não abandonam minha mente, como se fossem sussurros de demônios aos meus ouvidos, dizendo que estou fechando os olhos para problemas maiores, que estou cego, capturado, amarrado, amordaçado, sozinho.
Parva consciência que atormenta meu espírito! Cala-te! ...Não convém conversar sozinho. Esse Deus que faço-me rezar toda noite, será que o Senhor escuta as minhas preces? Nunca às respondeu. Eu não clamei por Seu reino, não esperei Seus presentes, então Pai, por que me parece que abandonaste seu filho?
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Bem! Começando com esse novo projeto, nada extravagante. O Excerto Casual seria um espaço especial para publicar (de maneira não periódica) pequenas partes de algumas obras pessoais, alguns pensamentos que se tornam algum tipo de poema ou história. Ideia boa? Não sei, mas agora tenho mais liberdade para escrever qualquer tipo de texto e postá-lo.
Enfim, o Infiel nasceu de uma fanfic antiga, ele já estava praticamente pronto só precisava de mais alguns enfeites, um misto de ferimentos auto flagelados. Pessoalmente não me orgulho muito dos meus trabalhos antigos, não morro de amores pelos templários, acho até que lutaria pelos turcos mas... Acho que precisava postar esse excerto.
Vive la vie
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