quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Wladislaus Dragwlya... Ou seja, Vlad Tsepesh... Dracula - Parte 01


No final do universo, talvez um lugar bonito, quando todo nosso tempo se esvair pelos dedos e a carne perecer, teremos um novo começo. Quando enfim, depois da travessia do vale de trevas do espaço, os divididos se unirem novamente como quando tudo começou... Independente de quem fomos... Independente do que fizemos... Isso já não importará mais. Novamente tudo será perfeito, como a sede e a água, juntos se completam e separados são nada. Meu bem único e mais precioso, minha jóia de sangue bastardo cristalizado no tempo.




Wladislaus Dragwlya... Ou seja, Vlad III Tsepesh... Dracula.

Sim, ele assinava seus documentos em Latim (#badass) "Wladislaus Dragwlya, vaivoda partium Transalpinarum"

Algum tempo postei sobre o amor verdadeiro, aquele post especificamente era para esse homem. Não se trata de afeição romântica (okay, talvez um pouquinho... Só um pouquinho) mas de uma adorável comoção sentimental, uma admiração silenciosa (seja lá que infernos eu esteja querendo dizer) e FINALMENTE chegou a hora de falar sobre a vida dele, tim-tim por tim-tim (sempre adorei essa expressão) já que é um assunto do meu maior interesse, vou tentar fazer um post realmente completo com cada detalhe que possa vir a interessar.

É um discurso muito batido falar coisas como "essa é a história do verdadeiro Dracula" ou "o homem por trás do mito" ou "Se procura por histórias de vampiros aqui não é o seu lugar"... Todo mundo já cansou de ouvir essa coisa toda, mas não custa repetir a missa.  Essa é a história do notório déspota militar, sanguinário e cruzado, não do famigerado personagem não oficializado príncipe da noite do Stoker (apesar que esse papel cai muito bem nele hohoho.) Então, agora que o aviso está dado, bora começar a história.

P.S. Adicionando o seguinte, o que for descrito aqui está sujeito a erros, então, sem descer pra baixaria né LOL





Tudo começou em 1431, quando o pequeno Dragão nasceu em Sighișoara, Transilvânia, na época Reino da Hungria, hoje parte da Romênia.  Alguns relatos variam, diz-se que ele nasceu no inverno entre novembro e dezembro, e no livro de Humphreys (Vlad - A Última Confissão) ele comenta que Vlad nasceu em março, vai saber quem fala a verdade. Sua mãe também é desconhecida, PORÉM, acreditasse que seu pai, Vlad II Dracul, foi casado com a princesa (Cneajna) Vasilissa da Moldavia e que essa respectivamente seja sua mãe (e é claro que o "papa-Dracul" tinha um bom número se amantes). Droga, o que custava ter um tipo de diário com essas informações como os egípcios, não é? Ou talvez tenha mas ninguém traduziu para o inglês, ou eu não encontrei, paciência.

Também é dito que o Vladisco tenha mais alguns irmãos, o primogênito Mircea II (assassinado junto com o pai, olhos queimados com ferro quente, enterrado vivo #Foi beijar a bunda de São Pedro), o ilegítimo Vlad  IV Călugărul ( um concorrente ao trono, porém vencido #bastardo#loser), e o mais novo Radu cel Frumos ( Radu o Bonito #NomeDeCabraMacho / o colchão do sultão Mehmed - se é que me entende e vai entender com o decorrer da história).

E agora você me pergunta "E a mãe dessa pirralhada toda, cadê?"  -Mircea II (mãe desconhecida) - Vlad IV (Călţuna, a amante #AOutra#Usurpadora#MariaDoBairro) Radu cel Frumos (seguindo a linha de pensamento que Vlad III e Radu tem a mesma mãe, logo sua mãe é Cneajna da Moldavia).

Enfim, voltando a narrativa. Pouco se sabe sobre os primeiros anos de Vlad, provavelmente ele deve ter tido uma educação em casa, com a mãe e os preceptores, e depois quando seu pai Dracul subiu ao trono, ele e seu irmão foram enviados para a capital Targoviste, onde então tiveram estudos mais específicos para suas futuras posições, como habilidade no combate, geografia, matemática, ciência, línguas ( Latim, Germânico, Eslavo), arte clássica e filosofia. Preciso dizer que ele foi iniciado na Ordem do Dragão quando era apenas uma criança? Pois é, assim dizem por ai.

Enfim, seu pai Vlad II Dracul ascendeu ao trono da Valáquia em 1436 quando seu irmão Alexander I (sim!Outro bastardo) morreu por causa de uma doença, porém ele foi forçado a se submeter alguns anos mais tarde, em 1442 por John Hunyadi da Hungria (lembra? O Cavaleiro Branco da Cristandade), seu filho Mircea II ficou com o trono, para um ano mais tarde também ser deposto e ter que fugir com o rabinho entre as pernas por assim dizer, também graças ao Hunyadi, que por sua vez colocou no trono Basarab II , filho de Dan II.

Que tal contemplarmos as rixas familiares por alguns instantes... Vlad II Dracul era filho de Mircea cel Bătrân (Mircea o Velho) e de uma amante chamada Maria Tolmay (ou assim dizem), logo Vlad-pai era bastardo (não que a bastardia fosse algum problema naquela época para os concorrentes ao trono, bastava ter um exército e você já estava apto a concorrer). Mircea o Velho era da Casa de Basarab, mas seu bastardo não poderia participar dessa casa, então basicamente Vlad-pai adotou a alcunha de "Dracul" graças a Ordem do Dragão, a qual ele tinha muito orgulho, criando a Casa dos Drăculeşti. Por outro lado havia uma segunda casa real também descendente dos Basarab, essa era a Casa dos Dăneşti.

Claro que a rivalidade existia entre ambas as casas, e não tinha nada a ver com o fato do Vlad-pai ter matado um bocado dos Dăneşti, claro que não.. (LOL) E agora me digam, como não amar o filhote de um bastardo? /o/

De qualquer maneira, Papa-Dracul voltou com apoio turco do Sultão Murad II e chutou o o traseiro seboso do Húngaro, mas claro essa grande ajuda não foi de graça, Vlad II havia feito um tratado com o Sultão onde prometia pagar um tributo anual para os turcos, além de ouro também jovens meninos para serem treinados para os exércitos turcos (Ah sim, com a reputação brilhante de Murad, só um ingênuo acreditaria que eles APENAS iriam ser treinados para os exércitos) e como se isso já não fosse ruim o suficiente, Vlad II teve que enviar seus dois filhos como cativos como prova de lealdade. Lá eles aprenderiam sobre lógica, Al Corão, a língua turca e obras da literatura otomana, é constatado que nos últimos anos de cativos eles falavam turco fluentemente. E além de tudo isso também foram treinados para manusearem armas e a cavalgar.

Esses anos como cativo obviamente tiveram uma grande influência no comportamento de Vlad, talvez seja a mais provável fonte de todo seu ódio contra os Turcos Otomanos, os Janízaros, e também contra seu irmão que se converteu para o Islã, e certa e principalmente contra Mehmed. Existem especulações também sobre outros aspectos de sua vida, como inveja da preferência de seu pai para seu irmão mais velho, Mircea II e meio-irmão, Vlad Călugărul, também a falta de confiança nos húngaros e no seu próprio pai que havia traído a Ordem do Dragão e deixado ambos os filhos como reféns, compactuando com o inimigo infiel.

Existem alguns registros, não se sabe se são de confiança ou não, que revelam que Vlad no cativeiro turco em Edirne era uma criatura maliciosa, bruta e astuta, dada também aos prazeres, se recusando a se curvar para os Turcos e beijar suas sandálias, graças a isso foi preso e muitas vezes espancado e chicoteado por ser impertinente e desafiar o poder, enquanto seu irmão Radu era mais fácil de controlar, se convertendo ao islã para então servir ao Sultão Murad e a seu filho Mehmed II (sim, o famoso Sultão que levou a alcunha de El Fatih por ter conquistado Constantinopla, aquele que reivindicou o título de Califa.) E alguns anos depois, graças a sua influência na corte turca (e também no Divã de Mehmed, se é que me entende) foi permitido à ele entrar no palácio de Topkapi em Istambul (Constantinopla), foi homenageado com o título de Bey, que no turco significa algo próximo a "governante de alguma província", sem contar que lhe foi dado o comando dos Janízaros contingentes (Elite do exército Otomano)

Conseguem imaginar uma amizade sincera entre esses dois irmãos? Até parecem água e óleo.

Bem, o final dessa prosa todos já sabem, Vlad-pai e Mircea são emboscados em dezembro de 1447 pelos Húngaros e tadã. Vlad II decapitado, enquanto Mircea teve uma experiência de morte lenta, cruel e impiedosa.

Agora voltando ao principal motivo do post, Vlad III.

Bem, é óbvio que todos já perceberam que os filhos de Dracul estavam sendo mantidos como cativos não apenas como uma ameaça, mas também para serem preparados como marionetes, que seriam usadas em um futuro bem próximo. Com a morte de Dracul, a Valáquia ficou nas mãos dos húngaros, e isso o Sultão Murad não queria. Então ele enviou Vladdy-boy para a Valáquia com um exército otomano para tomar o trono, ou seja para os turcos. Mas é claro que os húngaros não gostaram nada disso, e apenas dois meses depois o Cavaleiro Branco da Cristandade, John Hunyadi (João Corvino kkk), chutou o traseiro do Vladdy-boy colocando no trono um aliado próprio, Vladislav II, do clã Dănești

Desde então Vlad passou três anos como um fugitivo na Moldávia, sob a proteção de seu tio Bogdan II. Quando Bogdan foi assassinado em 1451, Vlad teve que se refugiar na Hungria. Lá ele impressionou geral com seu vasto conhecimento sobre a estrutura interna do Império Otomano, e também com seu ódio mortal pelo Sultão Mehmed II, logo, Vlad se reconcilia com seu rival, Hunyadi, que por sua vez toma Vlad como seu protegido e conselheiro.

Pausa para reflexão. Se um velho mal-encarado matasse seu pai e seu irmão, você se tornaria "amiguxXxo" dele? Pois é, Vlad se tornou aliado de Hunyadi, muito se especula sobre seus motivos, a teoria aceita é que Vlad sendo um homem pragmático percebeu as vantagens que iria ganhar ao lado de Hunyadi, afinal, quanto mais ganhava a confiança do velho, mais chances ele tinha de retornar para casa com uma provável coroa adornando sua cabeça.

Depois da queda miserável da Constantinopla perante o Sultão Mehmed em 1454, a influência otomana começou a se espalhar pela Europa, ameaçando os cristãos. Em 1456, três anos após a conquista de Constantinopla, os turcos ameaçam a Hungria no famoso Cerco de Belgrado. Hunyadi começou seu contra-ataque na Sérvia - fato curioso, Hunyadi morreu três dias depois de vencer a batalha graças a peste bubônica - enquanto isso Vlad tinha seu próprio exército formado de mercenários valaquianos (é claro que o governo comunista que fez o filme de Vlad Țepeș em 1979 não iria aceitar mostrarem isso, mas essa é a verdade)

Agora é minha parte favorita, Hunyadi havia assentido silenciosamente (quando ainda vivo) ao fato de Vlad retomar sua terra natal, afinal o maldito que Hunyadi tinha colocado no trono Vladislav havia se tornado fraco e começara a negociar com o turcos. Então chegando lá Vlad derrota Vladislav em um combate mano-a-mano (sacumé?) e assim reconquista sua terra natal e agora para ficar por um bom tempo.  (finalmente!Hallelujass and Hallelujass!)

Agora vem a parte terrível porém mais foda ainda, Vlad encontra uma Valáquia com uma economia arruinada graças a constante guerra, com a agricultura em baixa e um comércio que havia praticamente desaparecido graças a infestação de ladrões, enfim, pobreza, e ele dá um jeito nela pra valer!

Essa é uma parte polêmica da sua história, quem sabe, a mais polêmica de todas! Seus métodos para alcançar seus objetivos. Vamos aos objetivos primeiro, bem, Vlad queria uma economia forte e estável, queria também uma defesa e uma política fortes o suficiente para se oporem em um campo de batalha, em outras palavras, restaurar a Valáquia que um dia tinha sido chamada de "encruzilhada" do mundo.

Primeiro tomou medidas para ajudar os camponeses, provendo a construção de novas vilas e também incentivos para o aumento da agricultura, ou seja, investindo também no bem-estar geral. Ele também compreendeu que um reino poderoso não se faz apenas com a agricultura, logo ele também investiu no comércio, criando leis de entrada e saída de produtos, tudo que poderia ser encontrado na Valáquia não iria ser comercializado para a Valáquia, também limitou as cidades comerciais em três: Târgşor, Câmpulung e Târgovişte.

No obscuro filme romeno de 79, mesmo que algumas cenas tenham sido "fantasiadas" (claro que eles iriam fantasiar seu personagem histórico, ainda mais quando o governo comunista de Ceauşescu queria parecer bonzinho e incentivar o nacionalismo, e sabe, é difícil admirar um assassino cruel) ouso ressaltar uma em especial (uma das mais legais) quando Vlad assume o poder e enfrenta os boyardos (nome dado aos nobres valaquianos) e pergunta "Quantos Voivodas vocês já viram reinar sobre essa terra?" - Voivoda era o título do líder da Valáquia, como um rei - e os boyardos vão jogando números, uns dizem 6 ou 7, outros 8 ou 9, e Vlad cabra-macho da um esporro fodido neles os culpando pela decadência da Valáquia, dizendo que eles são os enfraquecedores do poder do reino (E cá entre nós, foi o esporro mais bem dado que eu já vi na minha vida).

Sim, Vlad odiava os nobres, e ele tinha seus motivos, esses nobres não eram apenas ambiciosos traidores que não se preocupavam com a Valáquia e apenas com seus próprios bolsos enquanto enfraqueciam o estado com suas lutas pessoais de poder, alguns deles tinham ligações com a nobreza húngara, sim, aquela nobreza húngara que assassinou o Papa-Dracul... Sabe? Sim, rabos irão arder enquanto Vlad estiver no poder.

Quem não sabe de uma famosa história dele... Sim, aquela em que ele convida os queridos boyardos para um jantar em seu castelo, fecha as portas e empala boa parte deles? Puts, que retardados mentais esses boyardos também, né? Já sabendo da reputação obscura do Voivoda mesmo assim caem em sua armadilha facilmente... E eu também acho que eles não tinham muita escolha... :T

De qualquer maneira, o conselho do voivoda que antes era constituído apenas por boyardos de famílias importantes fora desfalcado pelo Voivoda Romeno, e as posições que eram de alguns líderes mortos foram repassadas para pessoas de origens incertas, que eram fiéis a Vlad até a morte. E para cargos menores ele escolhera cavaleiros e camponeses livres sem ligações com os boyardos.

Então iniciou-se a política da "vara", sabe não? "Não obedeceu, a vara come". Vlad emitiu novas leis e obviamente novas punições, dentre elas o empalamento, para os que infringissem essas leis, fossem eles nobres ou camponeses,  todos seriam tratados da mesma maneira.

Logo o exército foi reforçado. O próprio Voivoda tinha uma pequena guarda pessoal, os Vitesji (carece fontes) composto principalmente de mercenários. Ele também estabeleceu uma milícia ou "pequeno exército" formado por camponeses, que eram chamados quando uma luta acontecesse.

Outro feito de Vlad foi a construção da igreja de  Târgşor (supostamente em memória do pai e do irmão mais velho, que foram mortos nas proximidades), e ele também contribuiu com dinheiro para o Mosteiro de Snagov e as fortificações do Mosteiro Comana. (Informações incertas)



Bem, me tomou um grande tempo e esforço para juntar todas essas informações, (e claro a preguiça ajudou), então o final da história de Vlad Dracula fica para a Parte 2, que eu juro terminar o mais rápido possível.

#PeaceOff#PartiuVerWWELOL

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